A transformação do papel do síndico

Alterações na lei e orçamento, mudam perfil e eles passam a estudar mais

Há alguns anos, a figura do síndico era muito conhecida como um morador mais antigo, talvez aposentado, que cuidava das reformas e que organizava os horários dos porteiros e zeladores. Que podia até ser meio ranzinza e volta e meia se desentendia com os moradores. Hoje este perfil mudou, e bastante.



Além de quase sempreassumir um papel de conciliador entre os condôminos, o síndico de hoje passa a se comunicar melhor com seus vizinhos e busca a profissionalização. A mudança deste perfil é resultado de um apanhado de novas exigências legais, fiscais e tributárias que foram surgindo nos últimos anos. Com isso, viu-se a necessidade de aprimorar o tino administrativo. Alguns até mesmo focam na gestão como carreira e se tornam síndicos profissionais.

— Antes, os síndicos tinham que cuidar apenas do FGTS e do INSS dos funcionários do condomínio. Agora, eles têm que gerenciar os impostos, fornecedores e questões administrativas mais dinâmicas que não tinham antes. Por exemplo, as leis que vão sendo criadas e que exigem adaptação, como a obrigatoriedade de rampas de acesso nos residenciais — explica Ronaldo Coelho Netto, vice-presidente administrativo do Sindicato da Habitação (Secovi Rio).

— Acontece também que antes os condomínios não eram vistos com um grande peso tributário. Eram apenas residências, então, a administração não era tão complexa. Hoje, porém, diante de tantas exigências imputadas, os residenciais passaram a ser vistos como empresas e, com isso, as demandas e situações que não existiam, como um síndico ter que responder criminalmente por alguma tragédia, passam a ocorrer. O síndico está mais demandado e isso o levou a buscar mais conhecimento para lidar bem com tais mudanças — acrescenta a presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi), Deborah Mendonça.

CURSOS PARA PROBLEMAS

Diante destas mudanças, passa a surgir então e necessidade de aumentar a instrução, logo, os cursos voltados para síndicos vão se popularizando. São bem diversificados e podem durar um dia ou até três meses. Quase sempre são encontros semanais. Segundo Coelho, a maior procura é para assuntos sobre gestão condominial e problemas em assembleias. Um problema, diga-se, comum em condomínios. Ele explica que os temas vão surgindo a partir das demandas do próprio público- alvo. Por exemplo, cita, quando a autovistoria foi decretada e muitos queriam entender como funcionaria.